O Morto Vivo

Por segunda-feira, agosto 12, 2013 6 , Permalink

 

Não sei se estou vivo ou morto, só sei que ainda ando sem direção, sem rumo, apenas sigo os sons e cheiros que despertam minha atenção e minha fome. Sigo as vibrações que o mundo emite.

Meu corpo está em decomposição tem um cheiro horrível, creio, estou morto, mas ainda vivo?! Analisando bem… Agora sou um morto vivo.

 

***

 

Não sei como tudo começou, de uma hora para outra o mundo estava em colapso, às pessoas começaram a morrer e voltar a “vida” instantaneamente e em seguida começaram a atacar outras pessoas destroçando-as, arrancando-lhes as tripas e comendo-as com voracidade. Em seguida essa mesma pessoa que fora atacada e dilacerada começava a se mover. Aquilo era irreal para mim, não entendia nada que estava acontecendo.

Com medo de todos aqueles ataques tentei me esconder dentro de um galpão abandonado que era perto de onde vi o primeiro ataque acontecer. O galpão era escuro e cheirava a mofo, devia estar em desuso há muito tempo, mas havia ali uma janela por onde a luz passava, então caminhei ate ela e fiquei a observar. Foi onde percebi o que estava acontecendo. As pessoas estavam se tornando zumbis, aquilo era irreal, pensei que só existisse em filmes, mas acho que me enganei.

Tomado pelo medo, resolvi permanecer ali até as coisas se acalmarem. Estava sozinho e desarmado, não tinha a mínima noção do que fazer e como me defender. Só sabia o que tinha visto nos filmes.

Aquilo que um dia foram pessoas assim como eu, estavam andando sem direção, esbarando uns nos outros, emitiam um som estranho, parecia um chiado, um granido e, além disso, tinham um cheiro horrível de carne podre. Estavam em decomposição.

Fiquei observando por um bom tempo, quando escutei um barulho de algo caindo, o que por sinal chamou a atenção daquelas criaturas que seguiram em direção ao som – não eram muito rápidas, posso afirmar, mas sei que causava grandes estragos –, mas nada encontraram.

Foi aí que deduzi que eles não se guiavam apenas pelo cheiro, também seguiam os sons ao seu redor. Mas meus pensamentos foram interrompidos quando escutei outro barulho, voltei minha atenção à janela e vi uma menina, que aparentava ter uns sete anos de idade, derrubando um vaso de metal que estava em seu caminho. Percebi que ela dizia algo para as criaturas que estavam seguindo em sua direção:

– Papai! Mamãe! O que está acontecendo com vocês? Por que estão assim? – chorava – Papai! Mamãe!

Ela ainda não havia entendido que eles já não eram mais os seus pais e sim zumbis.

Aquela cena entristeceu meu coração, não sabia o que fazer, mas tinha certeza que se não a tirasse dali ela iria morrer, então tomei minha decisão, peguei um pedaço de ferro que encontrei no chão, saí do galpão e fui em direção a menina.

– Corra menina, sai daí agora!

Eu gritava ela permanecia parada, sem reação.

Com meus gritos as criaturas desviaram a atenção da menina e se voltaram a mim. Lembrei que se guiavam pelos sons, então peguei o ferro e comecei a bater em uma lixeira que tinha à minha frente, que por sinal funcionou. Eles esqueceram da menina e se voltaram para mim.

– Vá para um lugar seguro menina, não fique na rua! – gritei. Dessa vez, creio que ela entendeu e saiu correndo sem direção. Deu uma olhada para trás expressando agradecimento.

Comecei a correr. Embora aquelas coisas não fossem rápidas, eram muitas, e estavam surgindo de todos os lados. Tropecei em uma pedra, caí. Tentei me levantar, não consegui, tarde demais. Uma daquelas coisas puxou minha perna e deu uma mordida arrancando boa parte da minha panturrilha, senti uma dor insuportável. Chutei a coisa e consegui que largasse minha perna. Por mais incrível que pareça consegui me levantar e voltar para o galpão.

Comecei a me sentir estranho. Meu corpo estava queimando, suando muito, retorci tamanha dor, comecei a me retorcer de tanta dor. Devo estar morrendo – pensei comigo –  pois aquilo não era normal. Meus reflexos começaram a ficar lentos, meu coração estava parando de bater… Acabei de morrer.

De repente, meu corpo começou a se mexer, minha visão estava turva, mas meu coração já não batia mais, agora eu era uma daquelas coisas, era um morto-vivo que tinha uma fome insaciável. Movido pelas vibrações sonoras e pelo cheiro de vida.

6 Comments
  • Juliano Rossin
    agosto 15, 2013

    Interessante a escrita na visão de um zumbi, de como ele acabou se tornando o que é.

    Dicas: Dê mais atenção a escrita, tem erros de português e a pontuação pode ser melhorada. Você menciona várias vezes sobre as criaturas se moverem atrás de sons, dá pra remodelar isso sem precisar colocar a mesma informação tanto assim.

    Parabéns pelo texto e obrigado por compartilhar.

  • Hellen Cristina
    agosto 16, 2013

    Obrigada Juliano, vou dar uma revisa. Tem poco tempo que estou escrevendo na verdade esse é o segundo conto que escrevo.
    Obrigada pela dica.

  • Juliano Rossin
    agosto 16, 2013

    Seja bem vinda ao fabuloso mundo da imaginação!

  • Hellen Cristina
    agosto 16, 2013

    Obrigada!!!

  • Rainier Morilla
    agosto 19, 2013

    @hellen_cristina:disqus eu descobri o que o @julianorossin:disqus quis dizer com os erros, mas você não conseguiu enxergar, ou pelo menos um deles que me incomodou bastante. Há uma confusão entre hífen “-” e travessão “–”. Sugiro este artigo esclarecedor: http://www.recantodasletras.com.br/gramatica/1766865

    Quanto ao texto, lembre-se do que eu falei para os próximos. Coloque um conflito mais intenso e só entregue a cereja no topo do bolo no final, não no começo. No restante está ótimo, a evolução na escrita é notável! Não é à toa que estou pegando em teu pé! Sei que tens potencial! XD

  • Hellen Cristina
    agosto 20, 2013

    kkk valeu :D

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