Erros de escrita mais comuns : Detalhar Insuficientemente.  

Por segunda-feira, dezembro 16, 2013 4 , , , , Permalink

Encontrei este artigo na página: http://www.helpingwritersbecomeauthors.com/2013/11/common-mistakes-explaining.html Achei muito interessante e acho que pode ser útil para nossos escritores aqui da Roda de Escritores.

“No outro dia, eu entrei no cinema local para assistir a uma exibição do capitão Phillips.  Quando eu me aproximei da porta do Auditório 4, com pipoca e Pepsi na mão, podia ouvir os trailers ainda em execução, com músicas épica e sons graves pesados.   Independentemente do que estava tocando soou muito bem, então dei uma cotovelada na porta e olhei para a tela.  Não havia nada.   A tela estava em branco, a sala estava escura como breu.   O áudio continuava tocando, mas alguém tinha arruinado o visual.  É assim que nossos leitores se sentem quando falhamos em descrever adequadamente os aspectos importantes de nossas histórias.   A alguns meses atrás, nós falamos sobre como o excesso de explicações pode frustrar os leitores e até mesmo insultar a sua inteligência.   Mas, dos dois, não explicar é talvez o erro mais notório.   Por quê?   Porque, como o que aconteceu comigo com o trailer antes do Capitão Phillips, a falta de explicações atormenta os leitores com as possibilidades sem lhes dar detalhes suficientes para preencher os espaços vazios.  O que causa a falta de explicação?
A falta de explicações podem acontecer por conta de duas razões.
1.   O autor não conhece sua história suficientemente bem.
Se você está escrevendo sobre um personagem, cenário, ou atividade que você não conhece bem, você pode deixar de preencher vazios importantes porque falta informação para você.
2.   O autor conhece a história dele muito bem.
No outro extremo do espectro, temos o problema com nossa imaginação desenfreada correndo conosco.   Nós vemos nossos personagens, cenários e situações de forma tão clara que em nossas mentes nos esquecemos que o leitor não compartilha conosco esta visão.   Você pode conhecer que nosso herói é loiro. 6’1” e possui cerca de vinte libras de peso, mas isso não significa que essa informação será transmitida por telepatia para nossos leitores.
Explicações nada assombrosas
O Senhor Nigel entrou violentamente no cômodo.   Ele sacou a espada e lutou contra alguns soldados inimigos.  Ele saiu pela outra porta e usou seu tapa olho como um torniquete para o ferimento em seu ombro.
Enquanto estou escrevendo, vejo todas as possíveis situações para o Senhor Nigel.   Ele parece muito com Jeff Bridges.   Ele está vestindo uma armadura e colete como numa pintura de N.C. Wyeth.   O quarto que ele entra está sobre uma torre circular de pedra e decorada apenas com um tronco de madeira, uma mesa e uma cadeira.   Existem cerca de dez soldados inimigos, todos vestindo cota de malha.
É uma bela visão detalhada.   Mas você pegou quaisquer destes quando leu o parágrafo original?  Você provavelmente foi capaz de desenhar uma pequena porção de inferências no contexto (este “senhor” está lutando com uma espada, então ele está provavelmente em um cenário medieval), mas provavelmente isto apenas.
Você definitivamente não estava compartilhando os detalhes de minha visão para a cena, porque eu falhei completamente ao lhe apresentar estes detalhes.   O ombro ferido acabou surpreendendo você, porque eu não permiti que você visse o golpe que lhe causou essa ferida.   E o tapa-olho?   De onde o tapa-olho veio?   O Senhor Nigel começou a cena já com um olho perdido?
Explicações excelentes.
Evitar a falta de explicações vêm com algumas técnicas chave.
Distribua detalhes por todo o livro.
Idealmente, metade dos detalhes que nós discutimos já deveriam ter sido distribuidos entre os outros parágrafos.   Quando Nigel arrombou o comodo da torre, os leitores já devem ter uma ideia geral da sua aparencia (O tapa olho, com certeza, talvez não seja a comparação com Jeff Bridges).
Deixe os leitores saberem o que o narrador sabe.
Nigel provavelmente conhece que o quarto que ele está prestes a entrar é redondo e está no topo de uma torre.  Você pode preparar os leitores para o que está vindo mantendo-os a par dos próprios conhecimentos e presunções do narrador.
Mostre aos leitores o que o narrador vê.
Assim que Nigel abrir aquela porta ele verá detalhes chamativos no quarto, o número de homens dentro e detalhes que o fará crer que eles são os inimigos.   O que ele ver, os leitores devem ver.
Mostre, não conte.
Sinceramente, nossa cena de luta naquele parágrafo fede.   No final, não era uma cena de luta, era apenas a menção de que alguma coisa com algumas lutas de espada estavam acontecendo.   Você não precisa dar aos leitores tintin por tintin de tudo o que acontece em sua história, mas você deseja dramatizar os momentos mais excitantes e pertinentes – como quando Nigel é ferido.
Temos que encontrar um equilíbrio entre a descrição demais e o suficiente   Nós nunca queremos insultar a inteligência de nossos leitores dando-lhes mais informação do que eles precisam.   Mas também temos que ter certeza de que damos a eles detalhes suficientes para compartilhar nossas visões.”
Conte-me sua opinião: Você acha que é mais inclinado a pouca explicação ou explicação demais?

Também conte sua opinião sobre este artigo. Há mais 27 destes, numa série de tirar o folego na Helping Writers Become Authors. Vale a pena traduzir esta série? Você se interessam?

4 Comments
  • Rodrigo Cerveira Cittadino
    dezembro 17, 2013

    Excelente! E bem sucinto.
    Realmente, encontrar a medida certa das descrições é complicado.
    Às vezes incorro nessa falha de omitir um ou outro detalhe importante da história só porque, para mim, ele parece óbvio. Daí a necessidade de leitores beta. =)
    Outra coisa que acho difícil de fazer é inserir paulatinamente as informações ao longo das cenas, intercalando-as com a ação. Assim o ritmo não se interrompe com pausas para a descrição. Por outro lado, tem autores que escrevem parágrafos inteiros só com descrição e fazem isso muito bem. (Nesse quesito, recomendo a Robbin Hobb, com a série Aprendiz de Assassino: as descrições dela são longas, mas não entediam.)

    Ótima contribuição, Rainier.
    Acho que vale traduzir outros textos, sim, mas talvez não todos.
    Seria legal fazer uma enquete envolvendo os assuntos desses artigos (personagem, enredo, etc.), para saber quais têm maior demanda. Enfim, é uma ideia.

  • Franz Lima
    abril 11, 2014

    Concordo com o Rodrigo. O texto realmente acrescenta para todos que escrevem por aqui. Dicas anotadas…

  • Rainier Morilla
    abril 14, 2014

    Já tem 26 traduzidas. Estão passando por processo de revisão e edição! o/

  • Rainier Morilla
    abril 14, 2014

    A partir desta semana saem mais artigos assim! Pode esperar, pois serão muito úteis! =P

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