A Concurseira

Por quinta-feira, março 12, 2015 1 , , Permalink

Desculpa, mas não estou conseguindo estudar.

Eu sento e dedico horas do meu dia

Na tentativa de me concentrar.

Psicologia, direito, português,

Raciocínio lógico pra resolver de uma vez.

E logo, desconcentro-me,

Desconcerto-me.

Leio a primeira lei.

E vou direto para a transgressão!

A poesia fala tão alto,

De forma que tira qualquer atenção.

Eu tento. Eu busco. Reluto.

Digo que não vou escrever.

Ela diz: É hora!

Eu brigo: Não é!

Bato o pé.

Continuo a minha leitura.

Na segunda linha

Ela grita em meus ouvidos…

Ah não!

Peço silêncio!

Peço de novo!

Imploro. Repito.

[Tampões em meus ouvidos.]

Coloco-me firme. Resisto.

Volto para a segunda linha.

E lá vem ela, de novo.

Desisto.

Por que ela me sacode,

Coloca tudo em ordem.

Ela entra e sai

E costura-me de um jeito,

Faz qualquer artéria rompida

Voltar a funcionamento perfeito.

Começo a deixar a fluir.

Escrevo um poema,

E depois outro.

Troco versos, faço prosa,

Poetizo as conversas em órbita.

Dou risada. Gargalhadas!

Construo tudo, e também nada.

Passo horas escrevendo

Aquilo que, involuntariamente,

Está aqui dentro,

No ‘espaço’ que se chama mente.

Por favor, alguém me ensina a não ser poeta?

Estou em estado de alerta.

E quando quero deitar e dormir…

Computador desligado,

Neurônios desativados,

A poesia me obriga a pegar o caderno

E a escrever mais versos,

Ternos, fluidos, sinceros.

Ser poeta é a minha essência,

E é tão ruim querer deixar de ser.

É terrível ser quem não se é.

Desespero-me!

Nunca me senti tão improdutiva,

Sem conseguir estudar.

Desculpa. Tenho que admitir.

Nunca rendi tanto em minha vida.

Não estou perdida.

Apenas registro o que o coração diz,

Às vezes, calado.

Estou longe de ser profissional.

Apenas é o meu eu se despindo.

Meu singelo pulsar sentindo.

Estou nua, como a lua,

E embora pareça estar tudo escuro

Dizem que emano luz, sem querer.

Talvez porque eu escreva cheia, sem pensar.

E quando penso que está na hora de minguar,

Tudo errado.

A poesia vem novamente a me despertar.

Desculpa, mãe…

Mas eu não estou conseguindo estudar.

Aliás, tem concurso pra ser poeta?

Vou olhar o edital!

 

 

Foto por Steven S.

1 Comment
  • Wilton Bastos
    março 12, 2015

    NUNCA ME IDENTIFIQUEI TANTO COM UM POEMA *^* passo pela mesmíssima situação do eu-lírico. tento me preparar prum concurso, mas tudo que eu faço é poesia. nessa mesma forma que você retratou. as musas não se calam, cê vê. e, céus, eu não fico bravo com elas. longe disso. lindo, Indyara. Parabéns :D

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